Não gosto de despedidas, mas urge dizer adeus ao frio. Colocar a cadeira na varanda. Chamar os amigos. Experimentar conversas combustivas. E depois ficar levinho, porque nada melhor do que terminar uma discussão com um abraço bem apertado. Sabe como é: primeiro a gente se gosta, só depois a gente se preocupa com quem segura a razão. Dar a si mesmo o direito de não ter uma opinião formada. Dar-se ao direito de ficar em dúvida. Dar-se ao direito.

Direito de ser derrotado pelo sorriso gostoso do outro, contrariando minha seriedade, que insiste em me fazer sisuda. Coragem de tirar os freios que constrangem as expressões na face. Nessa hora, na varanda, alguns usam cadeiras, outros rede, ainda outros chão. Dois ou três fazem churrasco. Todos jantam, com e sem malícia. Sempre existe aquele que pula na piscina quase bêbado. E sempre tem aqueles que mergulham em olhares discretos e comburentes.

E porque é calor entre a gente, podemos olhar juntos para o nada. Para o céu com ou sem estrelas.  Com a paz exalando pelos poros, não porque seja feriado (amanhã é preciso pegar a pasta e voltar ao trabalho), mas porque colocamos a cadeira na varanda. Porque chamamos os amigos. E fizemos um churrasco.

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