Arquivo para fevereiro \28\UTC 2011

Estado

 

Pimenta no ouvido do intento

Polêmica dos olhos de dentro

As barbaridades ecoam mais forte hoje,

e não admito.



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O Abismar

 

Abismo ao pé da letra. Semântica verte o ar da graça – nada de graça. O custo – ler, lei. Explicaria seu ferimento de aprendizes pela simples alquimia cura do falar – mas só há tentar e intento.

(o que fala tem arestas)

Tem ainda ar, nas ventas do buraco da boca que move e fala, e seu dizer é outra coisa inusitada. O que dizem as más línguas? A verdade, um calo. Que entope as artérias das veias comunicantes. Falo e isto não diz, digo e isto não basta. Uma bosta nada nunca basta – só há crosta nas palavras das circunferências em movimento centrípeto. Ainda insisto, porém. Em manter as mesmas palavras em. Organizar naturalizando as palavras em. Ser inércia do verbo parar, do vento que sopra as sempre letras alfabetizadas, gramatizadas, canonizadas dos homens.

Novas palavras, para precisar, é preciso outras palavras.

 

 

Amora com limão e pimenta

 

a saudade do passo é lenta. e tudo transcorre, como se nada ocorresse. insisto nos ditongos não sinônimos de um abuso no sentido qualquer: tiro do sentido a flâmula que ele ocupa e carrega, dizendo: no-sense. o sentir foi para o passado, onde permanece agora sentido. das palavras que se combinam e cena formam, imagens informam e se deformam na imensidão de possibilidades que mareia dentro. é praia nas beiradas do corpo. ali água chega e vai embora dançando samba-tango-jazz. jaz no túmulo das águas que me carregam uma armadura de vime feita na ilha onde reside o centro. a armadura bóia, esforçando sobrevivência; a água bóia a dureza que o centro fez. o céu do contexto muda a cor enquanto a água muda em movimento sempre. na cor do céu, azul faz festa no sol que aquece o sentimento, mas.   desde que chegou o outono, o inverso se fez por ora estar eu, ora me deixar. quando presente sou, logo estou, fraseio sem lero, com bossa e até prosa na poética que inventei/inverti/fiz. porém, não estar é como sala vazia, quando alguém precisava de um sofá, onde sentar fosse a ousadia da vez, todavia, esta não sala de estar, nem há sofá nela. e continua-se… a dureza dos contornos no dia fazem sofrer a inércia que, julga-se, pertence ao ritmo de ser. no entanto, ao contrário do previsto, o imposto pela circunstância se distrai enquanto sigo ambivalência. viver opostos cansa a caça pelo entendimento. é preciso menos linhas e mais espaços nestas páginas de vida. olho ao lado, olho no olho da pessoa na frente, olho no entorno e no entre, dos olhos faz-se frase: os incomodados que se respirem,  eu tomo meu trono do lugar onde me corôo. outro rumo que me livre da asma que é ser entre – gostos – entre. desgosto no escravo do escrito, sabor no escracho do escravo do escrito, que molda a ciência das letras. diversão no meio do caminho, na beira da estrada o intento, no céu o invento, no chão o tormento, no mar o dentro, no subsolo… o que há no subsolo?! desejo. desejo que seja. Amora doce, com limão amargo e pimenta. (o mar procura seu feminino: amar). a saudade do passo é lenta, mas o passado das letras me influi a repetir os sons na flauta, quando a escrita confusa abusa e cruza o caminho, insistindo em retomar sempre as mesmas palavras, o ouvido acusa e grita: ousanovodenovodovelho! de novo, demovo, ousanovo! re-re-re-re-articulação no passo. minhas dobradiças que me perdoem, mas contorcionismo é o espaço – mesmo corpo, impasses, vários passos.



novo-no-velho

 

 

OlhO

vÊlhO

 

nOvO

é

OvO

que

OlhO

EntrE

vÊ nO

vElhO

 


som do vento ao ventre

 

Comovente, como………………..>

<………………..ver o vento, que move

Comovente, o vento<………………..

………………..> penetra o ventre, amante

 


Como ver-te, amante………………..>

<……………….. do ventre, onde venta

Como ver-te, no ventre<………………..

……………….. >amante, onde comove

 


Ver-te me ver,  como no vento

……………….. >que pur si muove, comovente.

Como te vendo, no amante ventre

……………….. >onde movemos

<……………….. onde venta me ver

 


Ação de amor me infla e comove

……………….. >em flâmula virando,

……………….. >chama

Como vem, no ventre

……………….. >ventando como amante

……………….. >sem apago, com afago

 


Contente,

……………….. >consumado

Voltando está, como amado

<………………..como vem………………..>

………………..>comovente

Mover o vento

………………..>de som ao ventre



dentro

 

pois é ti, Poética, que me cativa

em sua Poesia, ícone da minha incógnita,

meu icógnita

 

em sua imagem vejo

na semelhança dos significantes, novos significados, e CRESCE, agora signifiCAÇÃO

 

a gente se confunde com sons parecidos

agente se confunde com sons parentescos

sou filha que verso vira

minha poesia sou eu, transformada em signos

transtornada, em nada e tudo, de signos

à imagem e semelhança da minha nudez: um provérbio, só

 

aproximando parecidos díspares,

na lógica dos mares de dentro:

um poema lido é um poema amado

foi feito para ser amado

mesmo que o amor nem exista.

o saber do poema é o sabor do poema.

 

entre o sabor e o saber,

uma vogal de diferença: a do apetite,

que me tem e eu tenho

mesmo que a palavra amor não seja o amor

mesmo que amar-te esteja tão próximo d’amorte.

 

isto posto:

depois de tantos sons,

depois de tantas rimas,

depois de tantas letras,

descubro –

 

na madrugada
quando escureço,
ou sou,
ouço:
o sentido da poesia não é, sem o silêncio


coup de foudre

 

Um raio

vejo

uma faísca

de amor ao primeiro

você

na minha vista


 

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